No último mês de junho foi
publicado um artigo científico sobre um levantamento das espécies de aves
encontradas na reserva do Jardim Botânico Municipal de Bauru.
O trabalho intitulado “Avaliação da avifauna em uma área de
transição entre dois hotspots de
conservação no sudeste do Brasil” foi produzido pelos autores Guilherme Sementili Cardoso, Renata Marques
Vianna, Raphael Whitacker
Gerotti e Reginaldo José Donatelli
(todos da Faculdade de Ciências da UNESP-Bauru) e publicado na revista
científica Check List: the jornal of
biodiversity data.
A
pesquisa registrou 220 espécies de aves na área de reserva do Jardim Botânico Municipal
de Bauru. Destas, sete espécies são específicas (endêmicas) da Mata Atlântica e
quatro específicas do Cerrado. Foram encontradas também nove espécies ameaçadas
de extinção, além de 30 espécies que são passíveis de comercialização e tráfico
ilegal.
 |
Antilophia galeata - Fêmea do soldadinho |
 |
Antilophia galeata - soldadinho |
 |
Ictinia plumbea - sovi |
 |
Chrysomus ruficapillus - garibaldi |
 |
Área de coleta de dados. Campo aberto em regeneração. |
 |
Myiothlyps flaveola - canário-do-mato |
 |
Tercina viridis - saí-andorinha |
Esta riqueza de espécies
demonstra que a reserva do Jardim Botânico é uma área crucial para a
conservação da avifauna regional. Em suma, a presença de diversas fisionomias
vegetais contribui para esta grande riqueza, fazendo com que a reserva mantida
pelo Jardim Botânico Municipal de Bauru seja um fragmento de extrema
importância, justificando assim sua conservação, total proteção e seu manejo
adequado. Esta importância foi
reconhecida pela inserção do Jardim Botânico na Nova Unidade de Conservação Estadual “Refúgio
da Vida Silvestre (RVS) Aimorés”, de acordo com o Decreto Estadual nº 63.893, de 05 de
dezembro de 2018.
Segue
um resumo do artigo traduzido, elaborado pelos autores
Título:
Avaliação da avifauna em uma área de transição entre dois hotspots de
conservação no sudeste do Brasil.
Autores:
Guilherme Sementili Cardoso, Renata Marques
Vianna, Raphael Whitacker
Gerotti e Reginaldo José Donatelli
Áreas de transição tendem a
receber menor atenção das pesquisas de conservação em biodiversidade do que
áreas que contém uma vegetação única. Grande parte das políticas em conservação
e pesquisa são direcionadas para áreas bem estabelecidas, visando a um único
tipo de vegetação. Estas mesmas políticas tendem a
negligenciar áreas de transição e ecótonos, o que dificulta ações de manejo em
tais localidades.
Estas regiões são de extrema
importância para a manutenção da biodiversidade local. Áreas de contato entro
fisionomias podem conter espécies únicas, além de fornecer recursos para a
manutenção de uma diversidade específica. Neste contexto, as aves se destacam,
pois podem atuar como importantes indicadores da qualidade ambiental. Como elas
respondem prontamente às modificações no ambiente, o monitoramento da sua
dinâmica populacional pode atuar como um bioindicador, evidenciando possíveis
modificações que ocorrem no hábitat natural.
Assim, realizamos um
levantamento de avifauna na área do Jardim Botânico Municipal de Bauru. A
cidade de Bauru está localizada em uma área de contato entre dois biomas: a
Mata Atlântica e o Cerrado.
Para o levantamento das
espécies de aves fizemos uma avaliação, por meio de “pontos de contagem”, onde
um observador fica parado durante 10 minutos em determinada localidade e
registra todos os indivíduos e espécies daquele ponto. Fizemos duas amostragens
por mês, entre dezembro de 2017 e fevereiro de 2019.
Demarcamos 30 pontos de
análise, distribuídos entre as áreas de cerradão, mata estacional semidecidual,
mata de brejo e área de regeneração florestal.
Deste
modo, encontramos 220 espécies de aves nas áreas do Jardim Botânico municipal
de Bauru. Destas, encontramos sete endêmicas para a Mata Atlântica e quatro
para o Cerrado. Encontramos nove espécies ameaçadas de extinção em algum nível
(Global, nacional ou estadual), além de 30 espécies que são passíveis de
comercialização e tráfico ilegal.
Esta riqueza de espécies
demonstra que a reserva do Jardim Botânico é uma área crucial para a
conservação da avifauna regional. Os remanescentes florestais abrigam uma vasta
quantidade de espécies, e pode suportar uma fauna especialista (endêmica e
ameaçada), o que confirma a qualidade ambiental da localidade. Além disso, a
presença de uma área de regeneração florestal também é de suma importância,
pois pode fornecer recursos tanto para espécies florestais, quanto espécies que
habitam áreas abertas, como campos e brejos. Em suma, a presença de diversas
fisionomias vegetais contribui para esta grande riqueza, fazendo com que a
reserva do mantida pelo jardim Botânico Municipal de Bauru seja um fragmento de
extrema importância, justificando assim sua conservação, total proteção e seu
manejo adequado.
 |
Guilherme Sementili Cardoso é Mestre em Zoologia e Doutorando do Programa de
Pós-Graduação em Zoologia do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu |